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Música pode influenciar as plantas e melhorar a qualidade dos vinhos?

Posted on May 16, 2013 at 5:05 PM

     Após o artigo publicado no Portal Vitivinicultura relatando o uso de música nos vinhedos e a produção dos "vinhos musicais" na Itália e na África do Sul (link), ficou ainda a dúvida se é possível realmente que haja alguma melhora na qualidade desses vinhos por as videiras estarem expostas à música durante o seu desenvolvimento.


     Historicamente, a influência da música no crescimento e desenvolvimento das plantas é um tema polêmico. Desde Charles Darwin, que fracassou quando realizou um experimento tocando fagote para uma Mimosa pudica L. tentando mover suas folhas, vários estudos foram feitos neste sentido. Estes estudos indicam que perturbações mecânicas como o som, uma onda longitudinal, podem afetar a vida das plantas, e nisto inclui-se também uma vibração acústica sonora organizada, a música, a qual pode ainda ser correlacionada com os processos de organização biológica, como a síntese de proteínas e divisão celular.


    O professor Stefano Mancuso, pesquisador da inteligência das plantas na Universidade de Florença (que está estudando o vinho musical produzido em Toscana) explica que a vibração originária da música estimula a produção de polifenóis. A proposição do professor está relacionada ao estímulo físico que a planta recebe pela onda mecânica sonora, que atuaria como um elicitor, estressando a planta, desencadeando os mecanismos que sintetizam estes polifenóis, contribuindo para a qualidade do vinho.


    Nesse sentido, um estudo realizado na Universidade Federal de Santa Maria, no Brasil,  testou frequências de Ultra-som em uvas pós-colheita para elaboração de suco integral de uva e o ultrassom provocou um acréscimo de até 83% no teor de polifenóis totais, melhorando também as características sensoriais dos sucos, tendo sido estes os preferidos pelos provadores na análise sensorial realizada (link). 


     Ainda há poucos estudos sobre música e desenvolvimento de plantas no meio científico, uma vez que esta linha de pesquisa é pouco conhecida e considerada polêmica dentro do meio acadêmico, havendo grande discordância de ideias entre cientistas e desacreditação por grande parte deles, como levantado em um trabalho da Universidade Federal de Viçosa (link).


 

     No Instituto de Biociências da UNESP Botucatu, outro estudo comparou trabalhos disponíveis na bibliografia sobre a ação de vibrações acústicas e música em organismos vegetais e realizou também um experimento do mesmo tipo, chegando às seguintes conclusões (link):


1- Um organismo vegetal pode ser afetado em seu desenvolvimento por um estímulo sonoro.

2- A resposta de um organismo vegetal é sensível à freqüência e intensidade do estímulo.

3- O tempo de exposição e o momento do desenvolvimento vegetal onde o estímulo ocorre, parecem ser aspectos determinantes para a resposta.

4- O estímulo sonoro tem um caráter bidirecional, podendo tanto contribuir quanto inibir o desenvolvimento vegetal.

5- Organismos vegetais parecem ter a capacidade de reconhecer e responder a sons organizados sob forma de música.

6- Falta ainda uma visão ecológica que integre plenamente o elemento sonoro nos processos da natureza.

7- Até o presente momento, não se tem uma teoria geral ou hipótese que esclareça satisfatoriamente o fenômeno da interação som/planta.


     Em relação a estilos musicais, tipos de música, instrumentos, ritmos, nada pode-se concluir ainda e, deve-se considerar que a planta não interpreta e não possui sistema nervoso para sentir ou ouvir a melodia como nós humanos. Considerando que a interação se dá pelo estímulo físico das ondas, a forma e a orgaização das ondas é o que se altera em estilos musicais diferentes, e é este ponto que deve ser analisado.



     Ainda, para o caso dos vinhos, há uma grande particularidade: As plantas não devem crescer muito, mas sim produzir frutificações mais concentradas e melhores. Portando ao induzir o crescimento vegetativo, como apontado em alguns estudos, pode-se estar prejudicando a qualidade dos vinhos ou, no mínimo, aumentando a necessidade de podas para diminuir o porte da planta e o crescimento.


     Nesse contexto, ainda é cedo para definir a influência da música no desenvolvimento das plantas, porém, pode-se considerar que há sim algum tipo de interação das vibrações sonoras da música, como há com outros estímulos físicos, a exemplo de luz (ultra-violeta), calor e ultrassom, por exemplo. A diferença para estes pode estar na forma organizada que a música se dá, o que pode ser compatível com a organização biológica, como o levantado nos estudos citados no trabalho da UNESP Botucatú.


     O que se sabe é que em um setor tão apaixonante como o dos vinhos, farto de rituais sagrados, misticidades, lendas e mitologias, parece que a ideia de beber um vinho musical, em que a planta cresceu ouvindo música clássica ou como se, metaforicamente, a música estivesse engarrafada com o vinho, parece que a proposta está caindo bem e encantando apreciadores, dos quais muitos degustaram e aprovaram a bebida. Considerando que vinho é prazer, se os consumidores estão aprovando, não há do que reclamar. Um brinde!

 

Fontes e links:

A MÚSICA PODE INFLUENCIAR AS PLANTAS? QUAL A OPINIÃO DE PROFESSORES UNIVERSITÁRIOS SOBRE ESSA INTERAÇÃO?

 http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/polemica/article/download/5275/3868

 

ESTUDOS SOBRE A AÇÃO DE VIBRAÇÕES ACÚSTICAS E MÚSICA EM ORGANISMOS VEGETAIS

http://www.ibb.unesp.br/posgrad/teses/bga_me_2008_marcelo_petraglia.pdf


MÚSICA PARA AS VINHAS OUVIREM

http://portalvitivinicultura.webs.com/apps/blog/show/25696624


POLIFENÓIS TOTAIS E AVALIAÇÃO SENSORIAL DE SUCO DE UVAS ISABEL TRATADAS COM ULTRASSOM

http://bjft.ital.sp.gov.br/artigos/especiais/2012/12_bjft_v15e01_15E0112.pdf ;

Categories: viticultura, curiosidades

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